Há muitos anos atrás encontrei uma pessoa em Natal que me disse que haviam dois tipos de pessoas no mundo: as que estiveram em Noronha e as que não estiveram. Acho que concordo com ela.

Muitos poderão dizer que este destino não combina com mochileiros devido à sua fama de preços abusivos. Realmente não é barato, mas não é impeditivo para ir até lá. O mais caro é a passagem.

Vamos ao que interessa, o roteiro que fiz entre os dias 25 e 28 de outubro de 2013.

 

Fernando de Noronha e suas praias paradisíacas.

Fernando de Noronha e suas praias paradisíacas.

 

Preparação

Compramos um pacote no Hotel Urbano com aéreo, pousada, transfer in e out por cerca de uns R$ 2.000,00 para o casal. Pesquisamos em alguns sites de mochileiros que afirmavam ser Noronha uma grande enganação. Tudo extremamente caro, turistas e turismo predatórios, sujeira, exploração, etc.

 

1º Dia

Na fila para o check in do vôo vem uma moça te orienta como entrar em Noronha, fornece um formulário a ser preenchido e entregue na hora do check in na ilha e te passa também o valor médio da TPA (Taxa de Preservação Ambiental) que também deverá ser paga na chegada, em cartão preferencialmente. Embarcamos no voo da Trip/Azul em Recife e depois de uma horinha de viagem aterrissamos no arquipélago.

Uma bela fila se forma para o pagamento da taxa e procedimentos burocráticos de entrada. Ficamos 3 dias e pagamos R$ 136 cada um.

Guarde os documentos de entrada, pois eles deverão ser apresentados na saída da ilha (check out).

 

Transfer providenciado pelo receptivo até a pousada. Cabem algumas observações:

  • As vans/ônibus dos receptivos ficam ligados enquanto esperam os turistas. Bom, além da poluição, o custo de combustível deles deve ser exponencial em um lugar com o preço mais alto do Brasil, de diesel e gasolina (não tem álcool);
  • Caso você vá por conta própria, não se preocupe, tem o ônibus que para na porta ao custo de R$ 3,00, ou táxis;

 

Ficamos na Pousada Atalaia (HD – Hospedagem Domiciliar) na Vila do Trinta, próximo à BR, ao Parque Flamboyant e a Vila dos Remédios, o centro de Noronha. Ótima localização. Pousada simples com todo o conforto necessário.

 

Morro Dois Irmãos

Morro Dois Irmãos

 

Instalados, saímos meio perdidos, mas acabamos nos localizando. Descemos pela Vila dos Remédios vendo seu quase inexistente centro histórico. Ali também ficam os 2 únicos bancos (Bradesco e Santander). Um pouco mais abaixo está o Bar do Cachorro (o principal point noturno) e ao lado da igreja o Centro Cultural Muzenza, a “pizzaria”, outro local com música. Logo ao lado do Bar do Cachorro tem uma escadinha que leva à Praia do Cachorro.

Ali ficamos para um delicioso banho de mar, um pôr do sol sensacional com cerveja (R$ 5,00 a latinha) e uma delicioso e farto peixe na brasa enrolado em folha de bananeira (R$ 70,00). Tudo isso na Barraca do Tota, na areia da praia. Começamos muito bem!

Após um rápido descanso na pousada, voltamos para conhecer a noite noronhense no forró no Bar do Cachorro. O forró começa tarde (23h), cobram R$ 15 a entrada, cerveja a R$ 6,00 e a casa lota. Acontece toda sexta, mas todo dia tem alguma coisa lá.

 

 2º dia

Acordamos meio tarde, tomamos um rápido café da manhã e saímos para conhecer alguma coisa.

Como a tarde já havíamos agendado um passeio, resolvemos seguir andando até a área do porto. Calor escaldante, uns 20 minutos de caminhada (poderíamos ter ido de ônibus) e chegamos ao porto.

Ali tem um posto de informações turísticas, o único da ilha. Também ali perto está o Museu dos Tubarões, que não tem quase nada, além da lojinha e de um bar aonde você deve provar o Bolinho de Tubalhau.

Um pouco mais à frente está o acesso (fechado) ao Buraco da Raquel e um mirante com uma bela vista do lado da ilha voltado para o mar aberto.

Descemos até a praia ao lado do porto e ficamos um tempo por ali.

As 14h já havíamos reservado um passeio altamente recomendável: o entardecer VIP(R$ 130 em débito ou dinheiro). Saímos do porto aonde paramos um pouco a frente para fazer o mergulho de reboque (ou plana sub), aonde somos arrastados pelo barco segurando em uma pequena prancha com direito a ver o naufrágio grego, peixes, arraias, tubarões, etc. Dali direto para a praia da Cacimba do Padre aonde o barco pára na base dos Dois Irmãos, cartão postal de Noronha.

Por sorte avistamos os golfinhos e o barco se aproximou para que pudéssemos acompanhá-los. Eles não curtem muito, por isso não fique insistindo para o barco ficar o tempo todo atrás deles.

Voltamos para um mergulho e curtir o pôr do sol, embarcados, na Praia da Conceição. Com direito a um delicioso churrasco de peixe, linguiça e carne.

Considero esse passeio uma pechincha e imperdível. A operadora foi a Costa Blue, mas soube que se você procurar os barqueiros diretamente sai ainda mais barato.

 

3º dia

Último dia completo. Tudo por nossa conta mesmo. Fomos visitar o Parnamar (Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha).

A primeira parada é para comprar o ingresso no quiosque localizado no Parque Flamboyant (8h as 22h). Leve seu documento de identidade e pague a taxa de R$75 (gringos pagam o dobro). É feito um cartãozinho na hora que vale por uma semana.

Pegamos o ônibus rumo ao Sueste (R$ 3 por pessoa). A Baía do Sueste fica em um dos extremos da BR 363, a menor BR do Brasil (7 km) e corta a ilha toda.

Logo na entrada da praia tem uma das bases do parque, com uma lojinha, bar, banheiros e lanchonete. Apresente o ingresso e curta o local. Praia pequena, cuja área do lado esquerdo é proibida para banhos. Deixe suas coisas na areia e rume ao mar. Ah, não se assuste se passarem alguns pequenos tubarões e tartarugas por você. Eles costumam nadar conosco logo ali na beira do mar. Vi dois, meio de longe, mas vi!

 

Passeio de barco próximo ao Morro Dois Irmãos.

Passeio de barco próximo ao Morro Dois Irmãos.

 

Do Sueste seguimos  para o Posto de Controle do Sancho/Golfinhos de ônibus. O ônibus nos deixa na entrada da estrada para lá (na cabeceira da pista do aeroporto). Uns 10 minutos de caminhada e chegamos na base. O mesmo esquema de lojinha, lanchonete e banheiro.

Uma rápida caminhada por uma passarela e chegamos ao mirante da Baia dos Golfinhos. Depois ao Mirante da Praia do Sancho aonde está localizado o acesso à praia. É bem radical esse acesso.

Feita esta parte, faltava ainda a praia da Cacimba do Padre e a Baía dos Porcos. Voltando um pouco na estrada e andando mais uns 10 minutos chegamos à praia. Saímos de cara com os Dois Irmãos. Praia gigante e deserta que segue até o Morro do Pico, sendo subdividida em várias praias (Bode, Boldró, etc). Demais!

De volta ao centro, voltamos à Praia do Cachorro para comer aquele peixe e curtir o pôr do sol. Antes demos uma parada no Bar do Meio, entre a praia do Meio e da Conceição. Evite! Caro e ruim.

 

4º dia (último)

O vôo estava marcado para as 16h, por isso usamos a parte da manhã para conhecer o Forte dos Remédios e uma parada na Praia do Cachorro. Pretendíamos ir à Praia da Atalaia ver alguns tubarões, mas o Sol estava quente demais.

É isso aí! Não achei nada tão absurdamente caro. Dá para visitar Fernando de Noronha em um esquema mais mochileiro sem problemas.