Um roteiro para conhecer Lisboa a pé

Existe uma música da banda portuguesa Gimba e os Bandidos cujo trecho diz a mais pura verdade sobre a capital portuguesa: “Lisboa é, das cidades, a que deixa mais saudades”. Não há como discordar.

Lisboa tem um ambiente que a torna única, principalmente para os brasileiros que tanto se identificam com os costumes portugueses. O bate papo entre vizinhos nos becos de Alfama, aquela paradinha pra tomar uma “bica” (como é chamado o cafezinho em Portugal) no meio da tarde, o cheiro do pão fresquinho nas padarias espalhadas pela cidade e o mais importante: a alegria e receptividade dos lisboetas.

Como muitas cidades da Europa, Lisboa também permite que seus visitantes a conheçam caminhando por suas ruas repletas de histórias.

Conhecer Lisboa a pé permite que o turista visite muito mais do que os tradicionais pontos turísticos e encontre detalhes que passam despercebidos pelos “roteiros tradicionais”. Pensando nisso, testamos os roteiros sugeridos pelo Turismo de Lisboa e detalhamos todos eles de acordo com nossa experiência. O melhor é que cada roteiro pode ser alterado e combinado com os outros roteiros, de acordo com a necessidade ou interesse, já que Lisboa possui uma boa malha de transporte público e esses roteiros são praticamente ligados entre si.

O tempo para percorrer cada roteiro varia de acordo com as paradas e a preparação física de cada um. Se o objetivo é conhecer cada canto, o ideal é reservar um dia para cada roteiro. Já se a estadia em Lisboa é curta e o objetivo é aproveitar o máximo da cidade, é possível combinar mais de um roteiro por dia, desde que as regiões sejam próximas.

 

Baixa e Chiado
Elétrico na Baixa.
Elétrico na Baixa.

Nesse percurso você pode começar subindo o Elevador de Santa Justa, chegando até as ruínas do Convento do Carmo, que foi destruído pelo terremoto de 1755 e é o único exemplar de arquitetura gótica que resta em Lisboa. Suba até a Rua da Trindade para apreciar a linda fachada do Teatro da Trindade. Mais abaixo, entre na Igreja do Loreto e na da Encarnação.

Pela Rua Garrett caminhe à Igreja dos Mártires e depois passa pelo Teatro de São Carlos, que é a ópera lisboeta, e pelo Museu do Chiado, na Rua Serpa Pinto. Descendo a sinuosa calçada do Ferragial, passe pela secular Igreja do Corpo Santo e, virando à esquerda pela Rua do Arsenal, visite a Praça do Município, onde ficam os Paços do Concelho, construídos em 1774. Em direção ao Tejo, encontra-se a Praça do Comércio, porta de visita da cidade e sede de vários ministérios.

Continue caminhando ao lado das estações fluviais, onde é possível realizar passeios de barco no Tejo. Prossiga em direção à Rua da Alfândega, onde encontra a Igreja de Nossa Senhora da Conceição de fachada manuelina.

Beba uma ‘bica’ ou almoce no bicentenário Café Martinho d’Arcada, local frequentado pelo poeta Fernando Pessoa, e passe por baixo do neo-clássico Arco da Vitória, onde começa a Rua Augusta, uma espécie de calçadão que vai até a Praça D. Pedro IV, que os lisboetas chamam de Rossio.

Virando à direita no Rossio, chega-se até à Igreja de S. Domingos, datada de 1241 e hoje com uma fachada do século XVIII. Depois, seguindo pela Travessa Nova, encontra o Teatro Nacional D. Maria II, com a sua fachada neo-clássica de 1842, um edifício de raiz medieval, para utilização diplomática e que foi sede da Inquisição até ao século XVIII. Pela Rua das Portas de Santo Antão caminhe até o Palácio da Independência e até a Praça dos Restauradores. Do lado oposto desta praça está o Palácio Foz, a neo-manuelina Estação Ferroviária do Rossio e o Elevador da Glória, que dá acesso ao Bairro Alto, com a sua vida boêmia e noturna.

Em alternativa ao elevador, é possível passar novamente pelo Rossio e subir as ruas do Carmo e Garrett, que constituem o tradicional bairro do Chiado, que foi reconstruído sob orientação do consagrado arquiteto Siza Vieira.

Veja o mapa desse percurso.

 

Mouraria, Castelo e Alfama
Catedral da Sé, em Alfama.
Catedral da Sé, em Alfama.

O passeio começa junto à estação de metrô Martim Moniz, na Rua do Capelão. Caminhe pela Rua da Mouraria até chegar à Igreja da Senhora da Saúde, com belos azulejos e altar em talha, a visita só é possível durante a tarde e quando há missas. No renovado Largo do Martim Moniz fica o peculiar e multiétnico Centro Comercial da Mouraria.

Entrando no pitoresco bairro da Mouraria, suba pelas Escadinhas da Saúde e prossiga pelo Largo da Rosa, com o Convento do mesmo nome e a Igreja de S. Lourenço. Continue pelo largo da Achada, pela Igreja de S. Cristóvão e, subindo a Calçada Marquês de Tancos, chegue ao Mercado Municipal do Chão de Loureiro, que integra alguns atelies de artistas plásticos e uma bela esplanada.

Pela Rua da Costa do Castelo passe pela Escola de Circo do Chapitô e, descendo as Escadinhas de S. Crispim, chegue à Rua de São Mamede, com o Palácio do Correio Velho à esquerda. Pela Travessa do Almada vá até a Igreja de Santa Maria Madalena. Da Rua da Sé caminhe até o Largo de Santo António, com tascas e o Museu Antoniano, mais acima fica a Catedral da Sé, de 1147, onde é possível visitar o Tesouro da Sé e as ruínas romanas.

Suba a Rua Augusto Rosa até ao Miradouro de Santa Luzia e aprecie as vistas do Tejo e do Bairro de Alfama. Agora, a caminho do Castelo de São Jorge, suba a Rua de S. Tiago, a arquitetura justifica bem o esforço. Nos jardins do castelo desfrute da construção e passeie pelos ambientes até chegar à Câmara Obscura, onde é possível observar toda a cidade de Lisboa com a explicação de um guia. Aprecie também as vistas da cidade e do estuário.

Saia do castelo, virando à esquerda para a Rua do Chão da Feira, e pelo Largo Mor até à Igreja de Santa Luzia.

No largo das Portas do Sol é possível admirar a paisagem, visitar a Fundação Ricardo Espírito Santo e suas Oficinas e posteriormente descansar em uma das esplanadas. É possível também descer pelas escadarias do arco à direita, até à Igreja do Largo de S. Miguel, seguindo até ao estreito Beco do Carneiro e à Igreja de Santo Estêvão. Pela Rua dos Remédios chega ao Largo do Chafariz de Dentro – Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa.

Se a visita for durante o mês de Junho, quando se realizam as Festas Populares, a dica é mergulhar na imensa animação popular.

Veja o mapa desse percurso.

 

Bairro Alto e Cais do Sodré
Elevador da Glória, que leva ao Bairro Alto.
Ascensor da Bica, que leva ao Chiado.

No alto do Elevador da Glória está o jardim e mirante de S. Pedro de Alcântara, subindo pela Rua D. Pedro V, com inúmeros antiquários, chegue até o Jardim do Príncipe Real, sob o qual se encontra o reservatório de água da Patriarcal, datada de 1864. Mais adiante estão os Museus de História Natural, da Ciência e o Jardim Botânico.

Pelas ruas Miguel Pais e Monte do Carmo caminhe até a Rua Cecílio de Sousa e, por uma escadaria, regresse ao Jardim do Príncipe Real, atravessando-o para descer a Rua do Século e nela virar à direita para a Rua da Academia das Ciências, onde está a Academia e o Museu Geológico.

Pela Rua de S. Marçal suba até à romântica Praça das Flores, com os seus excelentes restaurantes onde é possível parar e fazer uma refeição. Descendo pela Rua de S. Bento, encontram-se diversos antiquários e, à esquerda, o Espaço por Timor, criado para apoiar o direito do povo maubere à autodeterminação e a sua corajosa resistência à ocupação indonésia.

Do outro lado está o Palácio de S. Bento que abriga a Assembleia da República. Continue caminhando pela Av. D. Carlos I e verá o Chafariz Monumental da Esperança, do arquiteto Carlos Mardel, e depois, subindo a Rua do Poço dos Negros e pela Calçada do Combro encontra a Igreja de Santa Catarina e seu belo mirante.

Desça pelo típico Elevador da Bica que leva ao Largo de S. Paulo, datado de 1849, ao Chafariz da Praça e à Igreja de S. Paulo. Na Travessa do Carvalho fica o edifício das antigas termas, os Banhos de S. Paulo. Mais adiante, passando pela Praça D. Luís I, chegue até o Mercado Municipal de 24 de Julho, construído em 1876.

No largo do Cais do Sodré, é possível encontrar uma importante interface de transportes, onde começa a linha ferroviária de Cascais. Existem acessos ao Metro e aos transportes fluviais.

No belo Passeio Ribeirinho, aproveite para degustar peixe fresco grelhado no carvão e depois suba a Rua do Alecrim, até ao Largo Luís de Camões e a Igreja de S. Roque. Entre então no Bairro Alto, uma zona popular e com animada vida noturna, onde pode ouvir fado genuíno e passar uma noite divertida e sem problemas de segurança.

Veja o mapa desse percurso.

 

Estrela, Prazeres, Alcântara e Docas
Docas ao entardecer.
Docas ao entardecer.

Comece esse passeio pelo Jardim da Estrela e seu coreto de ferro (Acesso pelos autocarros: 9, 27 e eléctricos 25, 28). Em frente ao jardim fica a Basílica da Estrela, em estilo barroco tardio e neoclássico, com 4 colunas e respectivas estátuas que representam a Fé, a Liberalidade, a Adoração e a Gratidão, junto à duas grandes estátuas de mármore feitas por Machado de Castro.

Pelas ruas Domingos Sequeira e Saraiva de Carvalho alcance a Praça São João Bosco e o Cemitério dos Prazeres. Depois, pela Rua Possidónio da Silva, conheça a Tapada das Necessidades e os seus excelentes jardins de cactos. Ali fica o Palácio das Necessidades, erguido no século XVIII, que abriga o Ministério dos Negócios Estrangeiros e de onde é possível observar a ponte 25 de Abril e ainda o monumento a Cristo-Rei, na margem Sul do Tejo. No Chafariz, de 1747, observe uma cruz de bronze sobre esfera de espinhos e um obelisco de mármore rosa.

Desça depois a calçada do Sacramento até ao popular bairro de Alcântara e a Praça da Armada. Continue pela Calçada da Pampulha até à Rua das Janelas Verdes: de um lado, o Chafariz Monumental no Largo Dr. José Figueiredo e do outro o Museu Nacional de Arte Antiga. Ao lado, no Jardim de 9 de Abril, observe o Tejo e o seu porto.

Em frente ao jardim está o Palácio da Cruz Vermelha e as escadarias de acesso à Av. 24 de Julho.

Atravessando esta e a linha-férrea em direção ao rio, vire à direita na Av. Brasília e passeie pela Doca de Alcântara onde se encontra a Gare Marítima com grandes painéis do modernista português Almada Negreiros.

Vá a pé pela Doca de Santo Amaro, recheada de esplanadas viradas para o rio, de bares e discotecas com uma intensa movimentação. Volte ao centro pelos autocarros 14, 32, 43, 28.

Veja o mapa desse percurso.

 

Belém
Torre de Belém em um dia de outono.
Torre de Belém em um dia de outono.

Esta é a região ocidental da cidade, que reúne um conjunto de monumentos culturais de grande importância. Para chegar até lá, use os autocarros 14, 27, 29, 43, 49, 51 ou o eléctrico 15.

Comece pelo Palácio de Belém, residência do Presidente da República, e coma um Pastel de Belém na famosa fábrica e pastelaria da esquina.

Suba a Calçada do Galvão até ao Jardim-Museu Agrícola Tropical e volte descendo até ao Mosteiro dos Jerônimos e ao Museu de Arqueologia. O Planetário Gulbenkian e o Museu de Marinha também valem a visita.

Entre no espetacular Centro Cultural de Belém, obra de Vittorio Gregotti e Manuel Salgado, onde pode almoçar com vista para o Tejo e para o jardim de Belém. No Centro Cultura também é possível conhecer o Museu Coleção Berardo. Percorra o túnel para pedestres sob a estrada e visite o Padrão dos Descobrimentos, subindo de elevador até o topo e observando a enorme Rosa dos Ventos desenhada no solo. Caminhe depois pela beira-rio, em direção ao Museu de Arte Popular. Mais adiante, passe pela Doca do Bom Sucesso e chegará à famosa Torre de Belém.

Depois da visita na torre, passe pelo Forte do Bom Sucesso e utilize o viaduto sobre a Av. Brasília para subir a Av. Torre de Belém, até entrar na rua de Pedrouços onde pode embarcar na linha 15 do eléctrico até à praça Afonso de Albuquerque e a estação fluvial de Belém.

Visite também o Museu da Eletricidade e descanse em uma das esplanadas ribeirinhas. Volte para o centro com os autocarros 14, 28, 43, 49, 51.

Veja o mapa desse percurso.

 

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